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Átrios dilatados

poemas

Meus ventrículos bombeiam em hipertrofia, por eu querer estar em dois lugares ao mesmo tempo
enquanto meus átrios dilatam-se de saudade
É de certo algo congênito, autoimune talvez
o preço que se paga pela dupla mistura de meus genes
Não é efêmero nem passageiro, e sim uma condição intrínseca a mim
Já constatei, não é engano nem equívoco
O sangue vermelho e verde corre por minhas veias, centrifugado pelo oceano que nos divide, mas não me divide – não, isso seria impossível!
Ao contrário, me mantém viva
Às vezes eu até mesmo me esqueço, não percebo, afinal é história pregressa, um fato registrado em minha ficha
Mas em dias como hoje me acusa e então eu me lembro
Não só me lembro, como eu sinto
A cada batida, me acusa e eu sinto
Lá está escrito “Tipagem sanguínea: saudades”

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